14 de mar. de 2009
Atenção - Site no ar
Martire
Postarei alguns textos por lá (deixando um aviso aqui).
O blog será mais para as reflexões.
Abraços e não deixem de visitar!
18 de fev. de 2009
Excerto de livro a sair - por Alex Martire
- O que quer?
- Eu... bem, aquela sua amiga, a filha da dona da loja de máscaras...
- Sei. Ela também é sua amiga. Não fale como se não a conhecesse.
- É um assunto delicado, sabe?
- Estão juntos?
- É... olha, eu não quero magoar você, cara. Desde a morte de minha irmã você anda sozinho, tomando aquelas merdas. Pensei seriamente que vocês iriam, sabe, se ajuntar.
- Mas não.
- Pois é. Aí aconteceu entre a gente. Não sei explicar e...
- Não precisa.
E seu olhar fulminou o sorriso tímido do companheiro que nada comia. O homem entendeu o que significava aquilo e, desajeitado, retirou-se. Pegou a mochila sobre o sofá e as chaves ao lado da porta.
- Cara, eu só... quero tentar ser feliz. – e saiu fechando a porta.
Não teve tempo de ouvir a pesada mão sobre a mesa. O punho esbranquiçado pelo sangue que não lhe corria. Também não viu o copo de leite rolar até o chão. Se estivesse presente, talvez pudesse observar a maneira como a mão esquerda daquele homem de sorriso nulo tremeu no ar antes de chegar aos cabelos. Certamente não repararia nos olhos dele, agora sombreados pelos dedos sobre as sobrancelhas. E agora, seu puto? Até isso você deixou escapar. Até ela... Eu sabia que ela... E ela... E lhe veio à mente aquela última tarde. Sob o calor da cidade sem cores. Um amontoado de gente sem valor e ela ali, dizendo ao coração dele: “Bata, bata, bata”. Ele estava desacostumado com as mulheres. Sua dor não fora nunca totalmente apagada ou superada. Mas a via claramente agora que as unhas entravam na palma da mão. Seu cabelo preso, deixando o longo pescoço à mostra. Ombros nus. O vestido leve combinando com as cores das unhas. Seus olhos acastanhados, que pareciam se tornar vitrificados cada vez que o sol recaia sobre sua pele. Era o seu riso... O modo como colocava a mão em frente à boca, estremecendo o corpo, puxando a alegria do fundo da alma, cuspindo-a pelos dentes e o risco aberto dos lábios vermelhos delicados. O que eu perdi? Mais isso... perdi mais uma vez, mais um fracasso. Achava-se desinteressante ao extremo, afinal, ela preferira o outro a ele. Sentiu o rosto queimando. Em instantes, aquele desgraçado estaria com suas mãos sobre ela. E ela iria sorrir. Rindo da minha derrota. E ele sabia que ela encantaria aquele rapaz, ele sabia. Como no dia em que subiu na árvore e lhe mostrou a beleza de, por instantes, saber o que é viver. Naquele dia, borboletas voaram.
Permanecia à mesa, derramando lágrimas de vergonha, quando sentiu uma enorme fisgada no braço, próximo ao pulso. Rapidamente, um leve contorno de alguma coisa se rabiscou. E se aprofundou, aparecendo gotículas de sangue. Quando chegou mais perto para olhar, identificou o contorno de uma pequena borboleta. Aquilo foi doendo, cravando, rasgando. Em questão de segundos, a dor ficou lancinante: de sua pele se destacou a borboleta, que começou a voar, tingindo a cozinha com pequenos pontos vermelhos, que pingavam de suas asas. Sequer pôde tentar entender o acontecido, quando sentiu mais fisgadas. Em todo o seu corpo. Do outro braço saltou mais uma borboleta. Debaixo de sua camiseta branca, reparou manchas de sangue. Mais uma. Mais. E mais. Dezenas de borboletas rasgaram sua carne e voavam, alegremente, fazendo o som de algo gorduroso quando batiam as asas. “Bata, bata, bata”. Sua roupa começou a se mexer sozinha, junto a um ruído infernal. Assustado, tirou a camiseta: centenas de borboletas conseguiram a liberdade, deixando-lhe apenas em músculos vivos. O mesmo quando se livrou das calças. Estava nu, sem mais nenhum vestígio de epiderme. Caiu de joelhos ao lado da mesa. Uma pontada aguda lhe veio do estômago. Colocou as mãos descarnadas sobre a barriga. Com um grito, suas vísceras se abriram e, de lá, milhares de borboletas rodopiaram no ar.
Só redobrou a consciência quando, ao fim da noite, sentiu um toque no ombro. Era o outro.
- Cara, você está bem? Não vá me dizer que dormiu sobre a mesa o dia inteiro?!
1 de fev. de 2009
23 de jan. de 2009
"O Pescador" - por Alex Martire
O caminho tendia ao infinito. Ninguém ia. Só a brisa vinha. E lá pelas tantas pôde avistar uma espécie de aglomerado de árvores choronas à direita da estrada, longe cerca de meio quilômetro. O homem pensou risonho: “Estou cansado e vou me deitar sob aquelas moças”. Saiu da terra batida e imediatamente os zéfiros pararam. “Estranho” – pensou – “só aqui é que não venta?”. A grama da planície era fofa e tirou os surrados calçados para libertar as bolhas dos pés na umidade verde. Chegando às sombras, deitou-se encostado no tronco de uma das árvores, deixou o violão ao lado, cruzou as pernas e relaxou com os braços atrás da cabeça.
Alguns minutos se perderam até que a boca seca o despertou do transe. “Que sede dos infernos!”. Seu cantil estava vazio. “Então é hora de partir, buscar água em alguma casa aqui perto”. Levantou-se, pegou as coisas e se dirigia de volta à estrada quando ouviu um ruído vindo das entranhas do bosque. “Que eu não seja homem se isso não for água!” – sorriu entre o suor gelado. Bastaram uns 666 segundos de mata fechada para dar de encontro com um lago lindíssimo. De água calma e de uma transparência que nunca vira antes. O calor era tremendo, optando por tomar um banho ali mesmo. Despiu-se e fez um montinho com suas coisas à beira do lago. “Que água boa dos infernos!”. Nadou e bebeu. Quando se sentia revigorado, saiu e, para sua surpresa, o violão não estava mais lá. “Por essas bandas deve haver uns ladrões dos infernos!” – resmungou. Desolado com a separação, recostou-se numa árvore e ali ficou. “Até minha garota me foi tirada. Agora não tenho ninguém nesse mundo”. Cansado pela tristeza, o homem acabou cochilando.
Já era noite alta quando foi acordado com uma doce melodia. “Que inferno, é a minha garota!” – sentou-se rapidamente. Lá do outro lado do lago conseguiu ver um vulto sentado, tocando violão. De chapéu e terno, a figura parecia rir. “Ei, desgraçado, devolva-me minha garota!” – berrou o homem. O vulto parou de tocar e uma voz tenebrosa rasgou o ar: “Garota? Não vejo mulher alguma por aqui. Só estamos eu e esse belo violão. Ò, que bela cintura ele tem, meu caro!”. O homem ficou paralisado de raiva, vendo outro ser tocar a menina de seus olhos. “Devolva-me!”. “Ora, venha buscar, eu lhe dou sua ‘garota’” – e riu novamente. O homem pulou no lago e prontamente se pôs a nadar. Mas foi em vão... algo parecia não lhe deixar dar mais de duas ou três braçadas. Era como se estivesse em um mar de gelatina, esgotando suas forças à toa. “Homem tolo! Não vê que é inútil lutar?”. E deixando o violão no colo, o vulto lhe propôs: “Façamos um trato. No lago em que está há algo mais gostoso do que qualquer outro alimento que já foi feito. Há uma coisa mais macia do que a pele de sua bunda quando era bebê. E, misericórdia, há algo mais perfumado do que os campos de flores que plantam ao Sul! Eu quero que me pesque uma mulher desse lago. Elas pululam por aqui antes da hora do sol nascer. Traga-me a mais bela e lhe devolverei o violão na próxima madrugada. Mas atenção! Quero que a mulher esteja intocada, entendeu? Se me vier com uma maculada, não só perderá seu violão, como morrerá nessas águas! Adeus, meu bom homem”. E uma fumaça se fez presente.
O homem saiu do lago e se beliscou: “Maldição, devo estar louco! Que raio de pesadelo foi esse?”. Ele olhou novamente a beira do lago e não achou o violão. Dar a volta era praticamente impossível: de uma hora para outra a mata parecia ter se fechado, e sons de animais um tanto furiosos vinham de lá. “Inferno! Vou ter de pescar a mulher pro infeliz!”. Mas como ele o faria? O dia começava a nascer e borbulhas saltavam da superfície do lago. Podia jurar de pés juntos que num momento avistou um braço saindo das águas. Procurou por um galho resistente. A linha seria um problema: seus sapatos não possuíam mais cadarços. “Vou ter de improvisar mais” – sorriu ao pegar folhas compridas das árvores choronas e entrelaçá-las. “Só falta a isca!” – preocupou-se. Primeiro, amarrou seu lenço na ponta da linha e arremessou no lago. Em poucos instantes sentiu um fisgão e o lenço foi jogado de volta à beirada. Tentou com a meia: mesma coisa. Camisa: idem. Por fim, tentou com a cueca. Sentia que beliscavam a isca. Pacientou-se e teve fé. Quando fisgou, puxou com dificuldade o peixe para fora da água. “Abençoado seja Deus, que mulherão!” – babou. Uma moça loira, nua, estava diante dele; toda sorrisos. Ele a tocou para ver se era de verdade, arrancando risinhos. Era estranho, mas aquela mulher o atraía demais. Ela tinha lábios delicados e a cintura lembrava a sua garota-violão. Ela jogou os braços ao redor de seu pescoço e o beijou. Ele pensou consigo mesmo: “Bom, se aqui há tantas mulheres mesmo, então eu pesco outra para ele ainda hoje!”. E deitou-se com a loira no mato, macunaimando-se. Em seguida, devolvia o peixe para a água.
Pescou depois uma ruiva. Macunaimou-se.
Uma morena.
Uma negra.
Uma asiática.
A mesma loira de novo.
Por fim, quando já anoitecia e encontrava-se esgotado, pensou que era hora de levar a coisa a sério. Com os fiapos da cueca, fisgou o peixe mais absurdamente lindo do lago. De cabelos escuros e corpo perfeito. De olhos violeta. De boca vermelha. De bochechas beliscadas e coradas. “Mulher dos infernos! Tenho de ser forte e resistir!”. Quando a moça lhe grudou no pescoço, desviou-se, deixando-a desconcertada. “Não me acha bonita?”. “Moça, você é linda de morrer!”. “Pois então: perca-se em mim!”. “Acho melhor não... está esfriando, sabe? Tome, vista minha camisa”.
Horas se passaram e chegava a alta madrugada. “Estou congelando, querido, me abrace”. E ele a aconchegou. Seu perfume era estonteante e, quando menos percebeu, estava se deliciando com seus lábios. Em poucos minutos ele havia feito o que não devia. “Desgraça! Como pude ser tão fraco?! Agora não tenho tempo de pescar mais nada e ele voltará! Estou morto, morto!”. Começou a chorar. A moça, tranquilamente, chegou junto ao seu ouvido e disse: “Eu tenho um plano. Quando ele vier, me entregue. Vamos nos deitar à beira do lago e nos amar. Antes que ele perceba a falta do impedimento natural que eu deveria guardar, você toma uma das cordas de seu violão em mãos e o estrangula! Depois podemos fugir e viver felizes, querido!”. Sem muitas opções, o homem acatou as palavras da mulher.
Ouviu o som de sua garota. Era ele que estava sentado lá do outro lado. “Então, vejo que está com uma moça muito bonita aí. Venha com ela buscar o violão”. Os dois nadaram até lá. “Aqui está, meu caro” – disse apresentando-lhe o instrumento e debruçando-se sobre a mulher. O homem rapidamente buscou as cordas do violão, mas não as achou! “Espero que não se importe, estourei as cordas ao tocar... estavam muito enferrujadas, sabe? Depois você compra outro encordoamento. Agora, vá. Deixe-me aqui com meu peixinho”. O homem ficou pasmo, petrificado. Só despertando quando ouviu o grito do vulto: “O que é isso?! O que você fez, idiota?!” – esbravejou – “Como ousa tomar de mim o que é meu por trato?!”. Num pulo só, o Tinhoso arrancou o violão das mãos do rapaz e o arrebentou em sua cabeça, rachando seu crânio. “Vá, leve-o daqui” – ordenou à mulher-peixe.
E lá no fundo do lago ele foi devorado por centenas de dentes afiados.
16 de jan. de 2009
12 de jan. de 2009
"Menina dos lábios de veneno" - por Alex Martire
A pequena foi ensinada pela mãe: “Encolha os lábios, querida, para não deixar em ninguém a sua ferida”. O pai era contundente: “Se beijar meu papagaio de estimação, não lhe deixarei nenhum dente”. A mocinha grudou um lábio no noutro e apertou cada vez mais: logo sua boca não passava de um fino risco sem graça. Não era notada por ninguém. Ao tomar gosto pelo oposto, nenhum garoto lhe observava, lhe galanteava. Todas as garotas da rua eram amadas, e todos os garotos tinham o seu rabo-de-saia. Mas a menina dos lábios venenosos, não.
Certo dia ela esbarrou num moço de luvas. Ao explicar sua situação, ouviu como resposta: “Mi-minha maldição são as mã-ãos. Desde que nas-ci não sinto-to o to-que-que-que de nada; nem de mi-im”. Pobre menino imasturbável que enegrecia aquilo que roçava. A garotinha teve piedade e a ele se ajuntou. No intervalo das aulas andavam de mãos enluvadas, brincando de felicidade.
No entanto, choravam juntos ao perceberem que lhes faltava aquilo que todos os colegas faziam: beijar-se. Os amassos dos outros alunos eram invejáveis; é bem verdade que o menino-luva e a menina-veneno já conheciam o corpo um do outro muito bem, mas, os lábios, aquilo que nos difere dos animais... isso... era-lhes impossível. Sem beijinhos, só carinhos. Situação insustentável. Que ficou pior quando a idade mais hormonal chegou: meninas contavam sobre suas relações, meninos contavam vantagens; menino-luva e menina-veneno nada contavam.
A vida se tornou insuportável aos dois. Nenhum médico apontava a cura. O desejo de aproximação era tremendo. Inevitavelmente a tristeza se apoderou dos dois... Depressivos e cabisbaixos, foram se isolando do mundo ao redor. Quando mais nem os pais ou qualquer outra pessoa conseguiu notar a presença daqueles dois infelizes seres, eles resolveram que era hora de dar um basta a tudo.
Arrumaram um quarto de motel num local distante. Ficaram longos minutos se olhando sem nada dizer: sabiam o que viria a seguir. Despiram-se e, pela primeira vez em suas insignificantes existências, as mãos ficaram livres e os lábios retornaram ao contorno original. Ela achou as mãos dele lindas. E ele disse que nunca vira lábios tão fabulosos. Ainda queriam consumar um ato e, deixando de lado a mortalidade de seus corpos, entregaram-se um ao outro. Os venenos de seus seres agiam lentamente... o tempo suficiente para, pela primeira e única vez em anos, desfrutarem da paixão. Quando os fracos suspiros reinavam, abraçaram-se deitados na cama. Ele tomou seu delicado rosto feminino entre as mãos, e ela o beijou com suas últimas forças.
E ninguém notou aquela história de amor. Ficaram satisfeitos por terem se livrado das aberrações que assustavam a todos. Sequer os pais prantearam os jovens.
A muitos quilômetros dali um gatinho morria. Envenenado.
3 de jan. de 2009
Simone Simons - Epica
Foto da moça com a Floor (do After Forever).
1 de jan. de 2009
Larissa Kulik
31 de dez. de 2008
24 de dez. de 2008
8 de dez. de 2008
Ocorrência - por Alex Martire
O-C-O-R-R-Ê-N-C-I-A
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29 de nov. de 2008
In: YOSHIKAWA, Eiji, "Musashi", v.1
Logo seu olhar foi outra vez atraído para o interior da oficina. Mas os dois artesãos que ali trabalhavam em total concentração nem sequer haviam erguido as cabeças, seus espíritos parecendo presos ao barro que moldavam.
Contemplando o trabalho dos homens, em pé no meio da rua, Musashi sentiu-se, também ele, tentado a moldar aquela argila. Sempre tivera gosto por esse tipo de trabalho, desde a infância. Achou-se capaz de moldar algo simples, como uma tigela.
Contudo, ao observar com atenção o trabalho de um dos artífices — um homem de quase 60 anos que, naquele instante, com a espátula e a ponta dos dedos moldava uma tigela — repreendeu-se pela presunção:
“Quanta habilidade! É preciso muita dedicação para se chegar a este ponto!”, reconheceu.
Ultimamente, o respeito que lhe inspirava qualquer obra superior, fruto do trabalho e da arte alheia, despertava com freqüência reflexões dessa natureza no espírito de Musashi. Compreendeu então com clareza que não era capaz de fazer nada sequer semelhante.
Observando melhor, notou que os dois homens haviam exposto sobre uma prancha de madeira, a um canto da oficina, diversos tipos de porcelana como pratos, vasilhames, cabaças e jarras, e neles haviam afixado etiquetas de preços, aliás módicos, com o intuito de vendê-los aos romeiros que transitavam por aquela rua. A consciência de que até mesmo a fabricação de porcelanas baratas como essas exigia tanta técnica e concentração, fez com que Musashi percebesse quão longe ainda estava de atingir sua meta na longa caminhada que iniciara rumo à própria formação guerreira.
A bem da verdade, Musashi havia andado bastante orgulhoso de si, pois nestes últimos 20 dias viera desafiando algumas academias mais famosas da cidade — entre elas, a de Yoshioka Kenpo — e, como resultado, havia percebido que sua habilidade como espadachim, contrariando a própria expectativa, estava longe de ser desprezível.
Viera a Kyoto — cidade que abrigava o castelo imperial, a antiga sede de inúmeros xogunatos — certo de que ali encontraria os melhores guerreiros e de que para ali convergiriam os generais mais hábeis, os soldados mais valentes do país; nenhuma academia por ele visitada, porém, fora capaz de lhe inspirar respeito, de levá-lo a curvar-se com deferência ao se retirar.
Pelo contrário: cada vitória sobre seus oponentes provocava em Musashi indizível tristeza, levando-o a afastar-se dessas academias desiludido.
— Não entendo: ou sou muito mais hábil do que imaginava, ou eles muito ineptos.
Se os guerreiros com quem se batera nas academias visitadas até aquele dia eram considerados os melhores da atualidade, quais seriam então os atuais valores da sociedade? Musashi não conseguia discernir claramente.
Mas nesse instante os ceramistas lhe haviam mostrado que não poderia se dar ao luxo da presunção: até mesmo um velho artesão, de cujas mãos saíam rústicas peças de porcelana valendo apenas alguns trocados — descobrira Musashi depois de atenta observação — possuía essa aterradora capacidade de concentração, base de toda a sua técnica e arte. E o que ganhava o velho homem em troca dessa habilidade? Mal tinha o que comer, e vivia num miserável barracão. A vida não podia ser tão fácil quanto chegara a pensar, com certeza.
Mentalmente, Musashi dirigiu uma respeitosa reverência ao ancião sujo de barro, absorto em seu trabalho, e afastou-se em silêncio. Ergueu a cabeça e fixou o olhar na íngreme ladeira que conduzia ao templo Kiyomizudera.
26 de nov. de 2008
Monólogo de Molly Bloom
22 de nov. de 2008
20 de nov. de 2008
Sigur Rós - "Viorar Vel Til Loftarasa"
A Islândia, terra dos meus queridos vikings, sempre foi um centro cultural de destaque e sensibilidade. Deixo, então, com vocês, esse vídeo: um espetáculo de imagens em câmera lenta, que trata lindamente da questão da homossexualidade. Legendas em inglês.
Só custará 7 minutos de suas vidas.

