24 de out. de 2008

De Amicitia

Certa vez, numa noite, observei algo terrível.
Do alto de minha cama olhei para o ponto do qual vinha o tormento. Lá em baixo reparei um pequeno ser gesticulando. Adiposo serzinho. Ele, idiota, machucava seus bracinhos, chorando. Em sua frente, uma bonequinha notava tudo. Raivosa por ele fazer aquilo. Nervosa por ele ser tão estúpido e não a deixar em paz. Ele, fora de si, guardava rancor. Ela, racional, dizia que afastar-se-ia de uma coisa como ele. Então um terceiro algo adentrou a cena, uma espécie de luz com longos braços, a Amizade. Pegou os dois em mãos. Separou-os, colocando-os bem longe um do outro. E, nesse espaço recém-criado, a luz se deitou. E desde então está querendo se apagar.

E eu não fiz nada.
Culpa minha.
Deixei estragar aquilo que os seres têm de mais especial em suas vidas...

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