31 de out. de 2008
Nota:
É a raiva em seu olhar.
Criei uma dor a mim mesmo...
27 de out. de 2008
Trailer - Livro
Fiz um trailer teaser para o texto novo que estou escrevendo.
26 de out. de 2008
Kassabão
Temos de concordar com o velho Tim: Brasil realmente é o único lugar em que pobre é de direita. E São Paulo é a quintessência dessa palhaçada.
Parabéns aos idiotas.
24 de out. de 2008
De Amicitia
Do alto de minha cama olhei para o ponto do qual vinha o tormento. Lá em baixo reparei um pequeno ser gesticulando. Adiposo serzinho. Ele, idiota, machucava seus bracinhos, chorando. Em sua frente, uma bonequinha notava tudo. Raivosa por ele fazer aquilo. Nervosa por ele ser tão estúpido e não a deixar em paz. Ele, fora de si, guardava rancor. Ela, racional, dizia que afastar-se-ia de uma coisa como ele. Então um terceiro algo adentrou a cena, uma espécie de luz com longos braços, a Amizade. Pegou os dois em mãos. Separou-os, colocando-os bem longe um do outro. E, nesse espaço recém-criado, a luz se deitou. E desde então está querendo se apagar.
E eu não fiz nada.
Culpa minha.
Deixei estragar aquilo que os seres têm de mais especial em suas vidas...
22 de out. de 2008
Excerto
Estou sem pressa para escrever. Pela primeira vez na vida, terei um ritmo lento imposto a mim mesmo. Meses ou anos, tanto faz. Uma semana? Quem dera, pode ser.
Vai ser doloroso. Mas é o que vocês querem, não é? Escrever coisas boas não tem efeito. Só elogiam as desgraças pelas quais passei e joguei no papel. É hora de jogar tudo no ventilador, e que fique aquele que for capaz...
Início:
Ele sairia da penitenciária pela manhã.
- Não chore.
- O que eu sou? – e soluçava.
- Uma pessoa maravilhosa!
- Mentira! Ninguém me deseja!
- Sentimentos carnais, filha? Nessa idade? – sorriu.
- Não diga besteira. Sinto falta de alguém.
- De quem?
- Não sei. Qualquer um. Carinho.
- O de mãe nunca é igual, não é mesmo?
- Desculpe...
E balançava o corpo, dançando horizontalmente. O nó na garganta. Nó górdio desgraçado. Sentia que seria puxada pelo pescoço, que sua vida minguaria ali, naquele instante, tal qual a Isadora.
Pernas ágeis chutavam o ar.
A mãe começou a prantear.
20 de out. de 2008
19 de out. de 2008
The Fall
Ainda estou digerindo os quase 120min de esplendor visual. Já vi muitas coisas incrivelmente lindas na minha vida, mas, esse filme, superou tudo o que já observei. Um espetáculo em todos os sentidos. Uma história fascinante. Uma história sobre contadores de história. Uma história que nos diz: "Você guia o seu próprio rumo". Nem tenho muito o que escrever sobre esse filme. Acabou de entrar pra lista dos mais belos que vi e para a contagem dos filmes que não se pode morrer sem ter visto.
É lindo.
É triste.
É feliz.
É a sensação de beijar o rosto da pessoa amada após o pranto: é uma dor salgada, reconfortante.
Vejam. Por tudo o que acreditem ser sagrado: vejam! Façam esse favor a vocês mesmos.
7 de out. de 2008
Turisas - Battle Metal
YANG, Denny, "New York, New York"

4 de out. de 2008
3 de out. de 2008
2 de out. de 2008
Parturiente (por Alex Martire)
O coração ainda lhe palpitava. Rapidamente. Parecia que romperia a caixa torácica. O que aconteceu? Como pôde ter acontecido? Fora arrastado da sala de cirurgia rapidamente. Por uma enfermeira-anjo. Loira. Olhos azuis. Não muito bonita. Mas firme: pegou-lhe no braço e o tirou de lá. Massageava o lugar que estava dolorido. Seu braço esquerdo. Ele tentou lutar. Permanecer ali. Mas não conseguiu: agora, estava do lado de fora. Corredor branco. Puro. Madrugada; ninguém quase circulava por ali. Um forte cheiro de álcool: limpeza dos deuses. Luz forte. Ardiam os olhos. Olhos injetados. Era a preocupação. O susto. Algo dera errado. Ia tudo tão bem. Estava feliz. O nascimento de seu primeiro filho, ou filha, tanto faz, importante que venha com saúde. Por que logo com ele? Por que com ela justamente? Não poderia ser com a mulher de outro? Complicações aparecem nos noticiários, mas... por que tinha de ocorrer hoje? E com ele? Passou meia hora. Andava de um lado para o outro, esperando a porta se abrir. Eis. Azul-bebê. Médico. Touca branca sobre os cabelos grisalhos. Óculos. Umidade na testa. Desapontamento forçado: afinal, ele estava acostumado em prestar contas aos parentes. “Senhor, sinto muito”. Ela? Ela... “Sinto muito, não resistiu”. Mas ele havia visto ela ir para a mesa. Segurara sua mão quando dormiu. Ficou ali ao lado, vendo o grande corte em seu ventre, observando o vermelho pastoso de suas vísceras, notando um pequeno crânio em seu interior. Agora diziam que tudo fora em vão? “Explicarei melhor quando o senhor estiver em condições”. As pernas fraquejaram. Parede, preciso de uma parede. Recostou ali. Lábios tremiam. Lágrimas gotejavam. E meu filho? “Filha...” E ela, inferno?! O médico abaixou as vistas. Balançou a cabeça. O mundo acabara. Ali. Naquele corredor. Não percebeu quando sentiu os joelhos baterem no chão frio. Limpo. Puro. Encostou a cabeça nos braços. Eles no solo. Gritou. Mas não conseguia ouvir o próprio som. Apenas sentia algo indesejável, inenarrável. Sua saliva escorria formando uma pequena poça transparente. Seus olhos ardiam. Deitou-se em posição fetal. Seguranças vieram. Tentaram lhe ajudar. Tentaram levantar aquele rígido corpo que tremia. A muito custo o conseguiram. Ele já não tinha forças. Gritava. O médico apenas olhava, calmo. Trouxeram-lhe um calmante. Aplicaram em sua veia. Desejou que fosse veneno. Que findasse seu tormento. Mas não. Em poucos minutos tinha arranjado as pernas. Agora conseguia andar. Quero vê-la. “Por favor, acho melhor não, senhor”. Quero vê-la! “Se deseja...” Abriram a porta. Só restava um auxiliar ali, ao lado dela. Em outra pequena mesa de aço, uma criança dormia. Seus olhos nunca mais iriam se abrir. Olhou o bebê primeiro. Uma menina. Seu corpo frágil. Inerte. Com as mãozinhas fechadas. Parecia tranqüila. Uma menina. O seu sangue. A sua continuidade nesse mundo. Fim. O enfermeiro deu os pêsames e cobriu-lhe inteiramente. Seu primeiro e último cobertor. Havia comprado um tão bonito. Amarelo. Unissex. Serve para menino ou menina. Tanto faz, desde que venha com saúde. Onde estava naquela criança? Mas era bem mais bonito do que aquele lenço grande branco. Limpo. Puro. Seu quartinho lá em casa. Todo arrumado. Presentes dos parentes. Todos em vão. O berço havia sido deslocado para o quarto de casal. Dormiriam e acordariam com o chorinho do bebê. Perderiam horas de sono, mas valeria a pena. Era um sonho ter um filho. Desejavam tanto. Ela dizia muito que nascera para ser mãe. Eu estava inseguro, achava que não seria um bom pai. Mas ela me apoiava. Sorria. Com seus lindos dentes brancos. Seus lábios... Ela estava ali. Deitada na mesa acolchoada. Haviam lhe fechado a incisão. Mas ela não voltaria, ela não acordaria depois de algumas horas reclamando da dor, ela não iria para casa com nossa filha nos braços. Morta. Será que percebera que chegava ao fim? Dormia na hora do parto. Será que sentiu dor? Será que sabe que morreu? Por favor, amor, tome conta da nossa pequena. Não importa onde você esteja, leve-a consigo. O nosso fruto do amor. O amor daquela noite. Das muitas noites de amor. O amor da nossa primeira noite. Você estava tão linda. Perfumada. Despi seu corpo. Nua. Graciosa. Sua pele macia. Rocei-lhe os lábios. Seus seios firmes. Suas mãozinhas que acariciavam meu corpo. Nossa insegurança. Seu corpo quente junto ao meu. Uma certa dor. O seu sangue. O rompimento do hímen para o início de nosso amor. Sua respiração ofegante. Nosso gozo. Os sorrisos de felicidade quando acordamos no dia seguinte. E hoje, amor? Por que me abandonou aqui? Você foi egoísta comigo. Levou nossa filha... Não me deixou nada. Nada. O efeito do calmante passava. Brotaram mais lágrimas. A boca aberta, salivando. Olhar embaçado: parecia que ela estava entre ondas. Mais um grito. Um choro de dor. Soluços. Segurava seu braço gelado. Caía perto da cama. Mãos na cabeça. Gritos. Só lembrou-se de ter visto três pessoas se aproximarem. Desmaiou.
1 de out. de 2008
Epta Astera




